A eleição de James Bel para a Assembleia Legislativa do Ceará chama atenção menos pelo tamanho absoluto de sua votação do que pela maneira como ela foi construída. O candidato do União Brasil terminou a disputa com 52.070 votos e uma característica pouco comum: seu nome apareceu nas urnas de 159 dos 184 municípios cearenses.
Em uma eleição marcada pela força de grupos políticos tradicionais, alianças estaduais e estruturas partidárias robustas, Bel percorreu um caminho diferente. Sua campanha se apoiou sobretudo na articulação com lideranças municipais e na capacidade de transformar apoios locais em uma votação de alcance estadual.
O resultado o colocou entre os 46 deputados estaduais eleitos e levou à Assembleia um político cuja principal força eleitoral não está concentrada em uma única cidade.
O mapa eleitoral ajuda a explicar o resultado.
Em Martinópole, cidade de origem política de James Bel, foram 4.903 votos, o equivalente a 56,09% dos votos válidos. Em Senador Sá, o desempenho foi ainda mais expressivo: 63,86% dos votos válidos.
Mas a candidatura não ficou restrita ao extremo norte do Estado.
Em Sobral, Bel recebeu 4.320 votos. Em Fortaleza, foram 3.632. Também obteve votações relevantes em municípios como Bela Cruz, Santa Quitéria, Marco, Irauçuba, Itarema, Granja, Jijoca de Jericoacoara, Santana do Acaraú, Uruoca, Itapipoca e Amontada.
A soma desses resultados ajuda a explicar uma das particularidades da eleição: Bel não precisou de uma votação excepcionalmente concentrada em um único reduto para alcançar a cadeira. Sua votação foi construída de maneira pulverizada, município a município.
É justamente essa capilaridade que transforma os 52 mil votos em um dado politicamente relevante.
A campanha também ocorreu em um cenário no qual os principais grupos políticos do Ceará disputavam espaço em torno da eleição para o Governo do Estado.
James Bel não esteve entre os nomes associados às maiores estruturas estaduais de apoio aos candidatos ao Palácio da Abolição. Sua candidatura seguiu uma trajetória própria, sustentada principalmente por alianças locais e pela mobilização de lideranças municipais.
Isso tornou a eleição particularmente interessante.
Na política cearense, em que grupos estaduais historicamente exercem forte influência sobre as disputas proporcionais, uma candidatura capaz de alcançar 159 municípios sem estar ancorada em uma das grandes estruturas da eleição majoritária demonstra a importância que ainda possuem as redes políticas construídas nos municípios.