BOCA Nervosa: do Boi da Cara Preta aos 12 anos à Carretinha do Bem que alimenta 600 famílias por domingo
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Boca Nervosa
Quando o assunto é samba de raiz com identidade paulistana, um nome vem à cabeça na hora: Boca Nervosa. Por trás do apelido forte e irreverente está Edmar Marques Silva, um artista completo, cantor, compositor e, acima de tudo, um ser humano que fez da sua arte uma ponte para o amor ao próximo.
A história de Boca Nervosa não começou em um grande palco da capital. Ela começou no interior. Boca Nervosa nasceu na cidade de Pradópolis, criado em Olímpia interior de São Paulo, e soube desde cedo que a música faria parte de sua vida. Filho de um ferroviário da antiga FEPASA e de uma dona de casa que criou 12 filhos com muita luta, Edmar foi ainda bebê para Olímpia. Foi lá que ele criou raízes, aprendeu o valor do trabalho e entendeu o que é correr atrás.
Antes de segurar um microfone, ele segurou uma caixa de engraxate. Foi jardineiro, entregou marmitas pelas ruas quentes da cidade. Ele conhece a rua porque ele veio da rua. E talvez seja por isso que o povo se identifica tanto com ele.
O dom, no entanto, era impossível de esconder. Com apenas 12 anos, ganhou seu primeiro concurso para cantores interpretando a música Boi da Cara Preta, composta pelo cantor Jair Rodrigues. Aquele menino que cantava com a alma já mostrava que tinha nascido para brilhar. O cantor e compositor paulista Edmar Marques Silva, mais conhecido como Boca Nervosa, ganhou seu primeiro festival de música aos 12 anos e desde então se consagrou no samba com mais de 25 discos gravados. São mais de 33 anos de estrada, de samba, de pagode e de muito trabalho.
A discografia dele é um retrato da música popular brasileira. Em 1991, lançou seu vinil em LP pela gravadora Copacabana, com faixas que marcaram a Zona Leste, como Cantor de Samba Rock, Zona Leste Total e Tudo Bem, Tudo Bem. Nos anos 80, já fazia sucesso com o álbum Tem Que Me Ter, de 1986, onde compôs ao lado de Ivan Arte Final e Vagner Guinão a eterna “Eternas Lembranças”. Uma música que fala de memória e respeito por quem partiu e que até hoje arrepia.
Mas Boca Nervosa nunca parou no tempo. O irreverente cantor Boca Nervosa, conhecido por suas músicas extrovertidas e bem humoradas, está sempre se reinventando. Prova disso é seu novo single em parceria com a Radar Records, a divertida “Marchinha do Tadalafila”, que promete ser hit no Carnaval com o refrão contagiante “Tadalafila, Tadalafila, a mulherada vai entrar na fila”. Uma letra leve, bem humorada e com a cara do Carnaval paulistano.
E se você acha que já viu tudo, precisa conhecer o projeto mais ousado da carreira dele: o Sambrega. Gravado no famoso Birosca, com direção de Leo Fiorito e produção de Celso Rangel, o projeto mistura o melhor de dois mundos. O nome já diz tudo: é samba com brega. Boca pega aqueles clássicos bregas que todo mundo já cantou no rádio, no churrasco e no chuveiro, aquelas músicas que nunca saíram da boca do povo, e transforma tudo em samba. É resgate cultural, é nostalgia, é emoção. É o Brasil cantando em samba as músicas que embalaram nossas histórias de amor.
Só que a maior virada da vida de Boca Nervosa não aconteceu em um estúdio. Aconteceu na rua.
Em 2020, quando o mundo parou por causa da pandemia, ele fez o caminho inverso. Enquanto muitos se fecharam, ele saiu. Ele pegou seu bem mais precioso, seu trio elétrico, e o transformou em algo muito maior. Nasceu a Carretinha do Bem.
O projeto Carretinha do Bem foi idealizado pelo sambista Boca Nervosa, que transformou seu trio elétrico em uma carretinha para distribuição de marmitex para moradores de rua em situação de extrema vulnerabilidade social, e hoje distribui cerca de 600 marmitex da Macarronada do Bem por domingo.
O que era para ser uma ação emergencial virou uma missão de vida. Todo domingo, faça chuva ou faça sol, lá está ele, com sua equipe, distribuindo a famosa Macarronada do Bem. São 600 pratos quentes que significam muito mais que comida. Significam dignidade, carinho e respeito.
As contas impressionam e emocionam: já são mais de 50 mil refeições distribuídas, centenas de cestas básicas entregues para famílias que não tinham o que comer, cobertores e roupas que aqueceram o inverno de quem dormia na calçada, ração para animais abandonados que também sentem fome e frio, e apoio total durante o período mais difícil da pandemia.
Boca não faz isso por marketing. Ele faz porque ele já esteve do outro lado. Ele já foi o menino que entregava marmita. Hoje ele é o homem que entrega esperança.
Por isso o seu lema pegou e virou verdade entre quem o acompanha: solidariedade não é discurso, é presença.
Boca Nervosa é a prova de que um artista pode ter 25 discos, um vinil histórico, um projeto inovador como o Sambrega e ainda assim ter os pés no chão. Ele é Pradópolis, ele é Olímpia, ele é Zona Leste, ele é São Paulo. Ele é o menino engraxate que nunca esqueceu de onde veio e que hoje usa a voz para alimentar corpos e almas.
O entretenimento brasileiro precisa de mais histórias assim. Histórias que cantam, encantam e cuidam.
Boca Nervosa
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