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Créditos da Foto: Divulgação
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Saude & Beleza

DOENçA renal descoberta por acaso leva paciente da Bahia à transplante na Pró-Rim

Sem nenhum sintoma, Jamilton Machado dos Santos descobriu a doença renal em uma consulta de rotina, enfrentou cinco anos de hemodiálise e deixou a Bahia rumo a Joinville, onde a Fundação Pró-Rim realiza o transplante de rim. Sua história revela a realidade da saúde renal no Brasil, a importância da prevenção e da doação de órgãos.


Jamilton Machado dos Santos entrou no consultório do médico da empresa querendo apenas alguns dias de descanso. Não sentia dor nem qualquer sintoma; queria só passar mais tempo com a filha recém-nascida e desacelerar uma rotina de trabalho, viagens e correria. Então o médico aferiu sua pressão, e o número soou como um alarme: 24 por 12. “Eu não tive sintomas. Fui para a empresa, não senti nada e disse ao médico que precisava ficar em casa uns três dias. Foi quando ele mediu minha pressão e viu que havia algo errado”, relembra Jamilton.


Mesmo diante do alerta, ele ainda voltou para casa antes de procurar um hospital. Só depois da insistência da família decidiu buscar atendimento. Quando foi, não voltou tão cedo: “Eu fui e só voltei 14 dias depois, diagnosticado e já fazendo hemodiálise”, conta.


O susto que chegou em silêncio
Natural de Gandu, no sul da Bahia, Jamilton havia se mudado para Belo Horizonte em 2018 para trabalhar. A filha tinha apenas três meses de vida quando veio o diagnóstico de insuficiência renal. Sem aviso claro do corpo, a doença avançou de forma silenciosa, como acontece com muitos pacientes renais. O caso dele traduz uma realidade que profissionais de saúde repetem há anos: a doença renal crônica pode progredir sem dar sinais nas fases iniciais, e, quando aparece, já está, muitas vezes, avançada.


Depois de exames mais aprofundados e de uma biópsia, veio a confirmação de que o quadro era irreversível. O tratamento começou de imediato, com a colocação de cateter, internação em UTI e início da hemodiálise. O baque maior, porém, não foi físico: “O mais difícil foi a aceitação. No começo, eu não sabia o que era, como funcionava o tratamento, nada disso. Essa foi a parte difícil”, diz.


O corpo também cobrou seu preço nos primeiros meses: “No início, desmaiei algumas vezes e tinha muita cãibra. Foi assim nos primeiros três meses. Depois, fui me adaptando”, afirma.


Cinco anos de espera e resistência
A doença interrompeu a rotina profissional e obrigou Jamilton a reorganizar a vida inteira em torno do tratamento. Ele se afastou do trabalho e passou a conviver com restrições, sessões frequentes de hemodiálise e o esforço diário de manter alguma normalidade. No começo, o medo ditava cada escolha: “No início, pelo medo que eu tinha, seguia à risca tudo o que pediam. Alimentação, tudo eu seguia à risca. Depois de uns seis meses, relaxei um pouco e minha vida voltou quase ao normal”, relata.


Enquanto reconstruía a rotina, entrou para a lista de espera do transplante renal. Foram quatro anos de espera em Belo Horizonte. Algumas irmãs chegaram a iniciar exames para a doação, mas surgiram impedimentos clínicos e também o medo, que tantas vezes cerca esse processo. Ainda assim, ele não desistiu: “Eu vi que não tinha outro jeito, na verdade”, resume.


A decisão de recomeçar
A virada começou com uma conversa. O relato de outro paciente renal, também baiano, que havia avançado mais rapidamente no Sul do país, abriu uma possibilidade que parecia distante: buscar o transplante em outra cidade. A decisão foi difícil. Mudar significava deixar vínculos, vender pertences e recomeçar sozinho, apostando em uma chance sem garantias.
Ao chegar a Joinville, Jamilton ainda não sabia o que encontraria. Veio disposto até a dormir no carro, se fosse preciso. Aos poucos, encontrou apoio, acolhimento e uma rede preparada para atender pacientes renais de diferentes regiões do Brasil. A Fundação Pró-Rim mantém ambulatório de transplante renal em Joinville e recebe pessoas de todo o país: “Quando cheguei, não conhecia nada. Vim para dormir no carro. Mas conheci muita gente bacana, que me ajudou de certa forma”, lembra.
O telefonema que soou como um milagre


Depois de vender o que tinha, mudar-se em definitivo e seguir em hemodiálise por cerca de mais um ano, Jamilton recebeu a notícia que esperava havia tanto tempo. A ligação chegou perto do aniversário dele, num momento em que a esperança já estava desgastada pelos anos de tratamento. “Para mim, soa como um milagre”, diz.


A história dele mostra que o transplante renal não é apenas um procedimento cirúrgico. É o resultado de uma longa jornada, que envolve acesso à informação, acompanhamento clínico, estrutura hospitalar, equipe multiprofissional, doação de órgãos e apoio humano ao paciente e à família. Cada uma dessas peças precisa funcionar para que o telefonema, um dia, aconteça.


O papel da Fundação Pró-Rim
Maycon Truppel Machado, presidente da Fundação Pró-Rim, explica que a organização é uma instituição filantrópica reconhecida pela atuação em prevenção, tratamento e transplante renal. Em Joinville, realiza o atendimento ambulatorial pré-transplante e conta com equipe especializada, com cirurgias feitas no Hospital Municipal São José. A instituição informa ter ultrapassado a marca de 2 mil transplantes renais e recebe pacientes de diferentes regiões do Brasil, como Jamilton, que veio da Bahia em busca de uma nova chance.


“Na Fundação Pró-Rim, o transplante renal é resultado de um cuidado que começa muito antes da cirurgia. O paciente passa por avaliação clínica, exames, acompanhamento multiprofissional e preparação cuidadosa, para que esteja apto a receber o órgão no momento certo. Nosso trabalho é atuar em toda essa jornada, da prevenção e da hemodiálise ao transplante e ao pós-operatório, sempre com olhar humano, técnico e comprometido com a vida”, comenta o presidente Maycon Truppel.


A realidade da saúde renal no Brasil
A história de Jamilton se conecta a um desafio de alcance nacional. Em 2025, o Brasil bateu recorde histórico de transplantes, com 31 mil procedimentos realizados. No caso do rim, foram 6.697 transplantes renais, o maior número já registrado no país. Ainda assim, a necessidade anual estimada chegou a 12.805 procedimentos, o que mostra que o total de cirurgias realizadas segue muito abaixo da demanda.


O país também registrou 20,3 doadores efetivos por milhão de população em 2025, outro recorde. Mesmo assim, a recusa familiar à doação ficou em torno de 45 por cento, o que limita a oferta de órgãos e prolonga a espera de milhares de pacientes. Dados públicos apontam ainda que o SUS responde pela ampla maioria dos transplantes realizados no Brasil, reforçando a importância de fortalecer a rede pública e as instituições filantrópicas parceiras.


Uma causa que pode salvar qualquer um
Para Maycon Truppel, o caso de Jamilton emociona porque revela a dimensão humana da doença renal crônica. Mas também informa e orienta. Mostra que a insuficiência renal pode se instalar em silêncio, que a hemodiálise exige a reorganização de uma vida inteira e que o transplante representa, para muitos pacientes, a possibilidade real de retomar planos, vínculos e autonomia.


Acima de tudo, reforça uma mensagem essencial: “falar de saúde renal é falar de prevenção, de acesso ao tratamento e de doação de órgãos. Por trás de cada paciente transplantado existe uma rede inteira de cuidado. E, em cada história como a de Jamilton, há um convite concreto para que a sociedade veja, discuta e apoie uma causa que pode, um dia, salvar qualquer um de nós “, garante o presidente da Fundação Pró-Rim.

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